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O Dia Nacional do Choro está na data errada. Mas...

  • Foto do escritor: Richell Martins
    Richell Martins
  • 23 de abr.
  • 4 min de leitura

Pixinguinha não nasceu no dia 23 de abril? E o que ele tem ver com a Guerra de Canudos, os celulares e até o Bruce Lee? Parece nada, mas vamos conhecer essas conexões.


Imagem criada com IA mostra Pixinguinha ao lado de Antônio Conselheiro, Martin Cooper e Bruce Lee.
Imagem criada com IA mostra Pixinguinha ao lado de Antônio Conselheiro, Martin Cooper e Bruce Lee.

23 de abril é o Dia Nacional do Choro. A data foi escolhida no ano 2000, graças a uma mobilização feita originalmente pelo grande Hamilton de Holanda, em homenagem ao nascimento de Pixinguinha.


Mas… e se eu te dissesse que essa data pode estar errada?


Alfredo da Rocha Vianna Filho, o Pixinguinha, é simplesmente um desses gênios que só nasce um a cada 100 anos. Um craque da música. Muito tempo depois que esse Dia Nacional do Choro foi criado, pesquisas do Instituto Moreira Salles (por Alfredo Dias) revelaram que Pixinguinha pode ter nascido no Rio de Janeiro, no dia 4 de maio de 1897.


E aquele não foi qualquer ano. Fatos importantes marcaram a época de nascimento e de morte de Pixinguinha. Para quem gosta de História: 1897 foi o ano da Guerra de Canudos, na Bahia, que marcou profundamente o Brasil. Nela, morreu o lendário Antônio Conselheiro.


Nascimento do rádio


Mas também foi justamente o ano em que foi realizada a primeira transmissão por ondas de rádio da História, graças ao italiano Guglielmo Marconi.


Ou seja… no mesmo ano em que Pixinguinha veio ao mundo, nascia também o embrião daquilo que levaria a música dele para o mundo inteiro.


Pixinguinha é considerado um dos maiores criadores da música brasileira, uma referência para inúmeras gerações de outros grandes nomes que vieram depois. Além disso, é importante considerar que ele foi um artista negro num período ainda mais difícil, em termos de preconceito racial, do que [ainda] é hoje. Seus instrumentos principais eram o saxofone e a flauta transversal.


Encontro com Louis Armstrong


Em 1957, o músico norte-americano Louis Armstrong estava em turnê pelo Brasil, quando, no Rio de Janeiro, foi recepcionado no Palácio das Laranjeiras pelo então presidente, Juscelino Kubitschek, em um almoço especial. Na ocasião, ocorreu o histórico encontro entre Pixinguinha, o "pai do Choro", e Armstrong, o "rei do Jazz". O dia era 27 de novembro e marcou esse abraço entre dois grandes nomes da música negra mundial. Também estavam presentes outros brasileiros como Dorival Caymmi, Sivuca, Elizeth Cardoso e Grande Otelo.


Fotografia mostra, em primeiro plano, Dorival Caymmi, Juscelino Kubitschek, Pixinguinha e Louis Armstrong. Foto de Luis Edgardi.
Da esquerda para a direita, à frente: Dorival Caymmi, Juscelino Kubitschek, Pixinguinha e Louis Armstrong. É possível ver, mais atrás, Fernando Lobo e Lamartine Babo. (Luis Edgardi/O Cruzeiro)

Pixinguinha era tão amado por quem convivia artística e pessoalmente com ele, que até o poeta Vinicius de Moraes, de quem era amigo e parceiro musical, o apelidou de “São Pixinguinha”. Os dois têm composições importantes como "Lamentos" e "Mundo melhor".


O santo que morreu na igreja


Não à toa, o velho Pixinga morreu no altar da Igreja de Nossa Senhora da Paz, no Rio de Janeiro, no dia 17 de fevereiro de 1973, duas semanas antes do carnaval. Ele estava no batizado de Rodrigo Otávio, filho de seu amigo Euclides de Souza Limado (levou até uma partitura de presente para a criança), quando sofreu um infarto fulminante e se imortalizou ali, aos 75 anos.


E 1973 levou mais uma turma forte. Tarsila do Amaral e Pablo Picasso, nas artes plásticas; Agostinho dos Santos e Cyro Monteiro, na música; e até, nas artes marciais, a lenda: Bruce Lee.


O início da telefonia móvel

Foto de Martin Cooper.
Martin Cooper (Huw GRIFFITH/AFP)

Em 1973, outro fato histórico se deu no mundo: o engenheiro Martin Cooper fez a primeira ligação de um telefone móvel, e é considerado como o “pai dos celulares”! Se você tá lendo este artigo por meio de um smartphone, é graças a esse cara, há mais de cinquenta anos!


Ainda mais: se, hoje, você escuta música pelo celular, está se conectando com a história de um grande artista que nasceu no século 19 e é um dos heróis do Brasil.


Percebe? Do rádio ao celular, do choro ao streaming, a música de Pixinguinha atravessou tudo isso e sobreviveu às guerras, às novas tecnologias e segue tocando e inspirando gerações de músicos!

Imagem de peso! Só continue lendo se sua conexão foi boa, porque pra fechar com chave de ouro, eu vou mostrar uma imagem de peso, que nem toda internet aguenta!


Pixinguinha sentado na poltrona; em pé, ao seu lado, Dorival Caymmi; mais à direita, Vinicius de Moraes segura o disco de Tom Jobim; sentado, quase de costas, ao violão, Baden Powell. Foto aprimorada por IA.
Pixinguinha sentado na poltrona; em pé, ao seu lado, Dorival Caymmi; mais à direita, Vinicius de Moraes segura o disco de Tom Jobim; sentado, quase de costas, ao violão, Baden Powell. Foto aprimorada por IA.

Esta imagem foi aprimorada o IA, mas a original é de 1965, de autoria de David Drew Zingg. A foto mostra, da direita para a esquerda, Pixinguinha sentado na poltrona; em pé, ao seu lado, Dorival Caymmi; Vinicius de Moraes, sentado, segura o disco de Tom Jobim; e quase de costas, ao violão, Baden Powell.


O Dia Nacional do Choro pode, hoje, estar numa data diferente do que foi o nascimento de Pixinguinha. Mas isso não é tão importante quanto homenageá-lo com as comemorações que acontecem em todo o país, todos os anos. Quanto mais falarmos nele, mais o choro brasileiro se fortalece.




 
 
 

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