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Povos indígenas e a música no Brasil

  • Foto do escritor: Richell Martins
    Richell Martins
  • 19 de abr.
  • 3 min de leitura

A música brasileira fala dos povos indígenas há décadas.

Mas… quem está contando essa história?


Durante muito tempo, a palavra “índio” foi usada nas músicas, na literatura, nos documentos. Hoje, o correto é falar “indígena”, termo que tem origem no latim e é bem mais antigo do que os tempos dos navegadores portugueses. Remete ao que é natural da terra, nativo, ao que é originário. Por isso, é correto usar "indígena" para se referir aos indivíduos e povos diversos, plurais, que são nossa raiz ancestral brasileira.


Essa mudança diz muito sobre como o Brasil passou a enxergar e respeitar, mesmo que tardiamente, os povos que estão aqui, desde muito antes da invasão portuguesa.


Na Música Popular Brasileira, os indígenas aparecem e são referenciados de formas bem diferentes. Caetano Veloso, por exemplo, tem uma música muito forte, chamada “Um Índio”, do álbum "Bicho" (1977).


A letra diz que, depois de exterminada a última nação indígena, virá do céu uma estrela colorida, resplandecente, brilhante, e dela descerá um ser tranquilo, infalível, que se revelará aos povos como um deus, e todos ficarão surpresos: "deus… indígena?". E isso terá sido o óbvio que ninguém havia percebido.



Em 1981, Jorge Ben Jor lançou a música "Curumim chama Cunhantã que eu vou contar", no álbum Bem-vinda Amizade, que deixa claro que, antes do ano de 1500, não havia necessidade de um “dia dos povos indígena”, porque todo dia era dia deles. Afinal, são nossos povos originários.



Em 1987, Tom Jobim lançou, no álbum "Passarim", uma música bem bonita que tem, inclusive, uma sacada visual, além de sonora. Pra simbolizar a exploração da natureza e o extermínio dos povos indígenas, a música “Borzeguim” tem frases que vão diminuindo de tamanho, como se dissessem: 'estamos acabando com tudo!'


"Deixa a anta cruzar o ribeirão

Deixa o índio vivo no sertão

Deixa o índio vivo nu

Deixa o índio vivo

Deixa o índio

Deixa

Deixa"



Em 1989, Djavan trouxe a música "Curumim", cujo refrão é uma citação a vários povos indígenas.



E você precisa conhecer o trabalho dessa grande mulher que é Marlui Miranda. Ela passou décadas pesquisando, registrando e convivendo com diferentes povos indígenas. Um trabalho fundamental pra preservar culturas inteiras através da música.



Marlui também contribuiu nos trabalhos de Milton Nascimento, Gilberto Gil e Egberto Gismonti


De dentro pra fora


Por muito tempo, essas histórias foram contadas de fora. Mas, hoje, o cenário começa a mudar. Artistas indígenas estão ocupando mais espaço e contando suas vivências com a própria voz. Como Kaê Guajajara que canta sobre território, identidade e memória. Ela é modelo, atriz, cantora e compositora. Natural de Mirinzal (MA), cresceu no complexo da Maré, no Rio de Janeiro (RJ) e fundou o selo musical Azuruhu, voltado ao desenvolvimento de artistas indígenas;



Os Brô MC's que usam o rap como forma de resistência. O grupo tem integrantes dos povos Kaiowá e Guarani, do Mato Grosso do Sul e foi formado em 2009. É considerado o 1º grupo de rap indígena do mundo a cantar na língua nativa. Os Bro MCs já se apresentaram no Rock in Rio, em 2022.



A Djuena Tikuna, levando a música indígena para novos palcos. Ela é de Tabatinga (AM), uma das grandes referências da música indígena brasileira. Foi a primeira jornalista indígena formada no Amazonas, sendo também a 1ª indígena a realizar um espetáculo musical no Teatro Amazonas, em Manaus. Em 2016, Djuena cantou o Hino Nacional Brasileiro em língua Tikuna, na abertura dos Jogos Olímpicos, no Rio de Janeiro (RJ). Em 2021, recebeu o Prêmio Grão de Música, representando a música indígena.



E também novas vozes, como Narubia Werreria, líder indígena e ativista ambiental. Natural de Goiânia (GO), sua família é do povo Karajá (Iny), de Tocantins. Lançou o single "Essa terra é minha" em 2021, com Thaline Karajá. Sua luta a levou, inclusive, a ser a 1ª indígena a ocupar uma secretaria do estado de Tocantins. Narubia também é pintora.



Por mais que a música brasileira tenha feito e faça alguma referência aos povos indígenas, agora, eles estão cada vez mais falando por si. E é isso que precisa sempre ser feito: ouvir a voz de quem habita esta terra desde os primórdios da nossa civilização.


Mas me conta: qual desses artistas você já conhecia? Conhece outros? Então deixa o nome nos comentários!


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